Os Lobos também sentem!

14 07 2009

Um dia, numa montanha muito fria e distante, nasceram uns lobinhos muito brincalhões. Um era o Pipo, que pelo seu tamanho avantajado, liderava os seus irmãos Lucky e Dala, a única lobinha.

Não muito longe, havia uma aldeia, na qual vivia uma família que tinha muitos animais dentro de uma cerca.

Certo dia, os lobinhos andavam à procura de comida pela montanha, mas acabaram por dar de caras com a aldeia. Como não sabiam falar com as pessoas da aldeia, tentaram uivar para que alguém lhes desse de comer. Não foi o que aconteceu! O Sr. Joaquim, dono da quinta e pessoa importante na aldeia, preocupado com os seus animais, chamou os vizinhos e juntos pegaram nas armas para matarem os pequenos lobos.

Quando ouviu os tiros, a Srª Maria, a mulher do Sr. Joaquim, gritou de aflição, pensando que eram ladrões. Mas depressa concluiu que eram uns pequenos e inofensivos lobos, que conseguiram escapar aquela ameaça iminente. Porque a Sr.ª Maria gostava muito de animais, tentou convencer o marido a poupar a vida aqueles pequenos lobos. Então, ele respondeu:

– Temos que proteger os nossos animais e esses lobos cada vez são mais perigosos! Temos que falar na aldeia e juntar os nossos homens para uma caçada a esses ladrões!

– Não faças isso homem! Tem pena dos bichos – ripostou ela, mas sem conseguir demovê-lo.

Os outros habitantes não alinharam na caçada, por isso o homem partiu só, de arma na mão. Ao longe, viu dois lobos já grandes, os pais dos lobinhos, que não sabiam o que se tinha passado na aldeia. Aproximou-se o mais que pôde e escondeu-se atrás de uns ramos, apontando a arma. Disparou, acertando na mãe loba que caiu de imediato no chão. Com os tiros, o pai lobo pôs-se em fuga.

Depois deste episódio, os meses passaram e os lobinhos na floresta ficaram adultos e cada vez mais unidos. Porém, a cena da morte da mãe nunca ficou muito clara para nenhum deles. Na altura, o pai tinha-lhes dito que a mãe partira para visitar a avó.

Com a chegada do Inverno, na aldeia, uma das mulheres, com um bebé, precisava de lenha e decidiu ir à montanha. Pousou-o numa pequena manta que tinha trazido e foi juntando alguns ramos secos que havia nesse local. De repente,  caiu numa armadilha. Nessa fracçãod e segundo, gritou.

– Oh, não! O meu bebé!

Durante um longo tempo, pediu ajuda, mas sem que alguém a ouvisse.

Ao cair da noite, o bebé chorava com fome e frio, provocando na mãe uma dor enorme e tristeza.O choro da criança chegou através do silêncio da noite aos animais da floresta. Foi então aqui que Dala, a loba já crescida, tomou a direcção do som. Antecipando-se aos irmãos, correu velozmente pela floresta, até que encontrou a criança chorando e tremendo de frio. Aproximou-se e com o seu bafo começou a aquecer a criança. Deitou-se, depois, junto ao bebé até ao amanhecer.

O sol nasceu e despertou a floresta, juntamente com Dala, a criança e a sua mãe dentro da armadilha. Dala toma uma decisão arriscada, ir até à aldeia e atrair os homens até à criança e a mãe.

Então, já próxima das casas, começa a uivar, criando um alvoroço nos habitantes. Ouve-se alguém gritar:

– Vamos matá-lo!

Ouvem-se tiros e mais tiros, mas Dala, contando com a reacção, fugiu. Como previsto, foi organizada uma caçada, levando os habitantes ao centro da floresta, como era intenção de Dala.

Durante a caçada, um dos homens andava sozinho à procura de Dala. Não avistou Dala, mas um velho lobo. Por instinto e vingança, decidiu matar o animal com dois tiros. Era o pai dos pequenos lobos. Ao ser atingido pelo primeiro tiro, lançou um grande uivo que se ecoou por toda a floresta, chegando aos ouvidos de Dala e de seus irmãos, que se tinham juntado para resolverem o problema da criança. Disseram entre eles:

– É o papá! Está a chamar por nós!

Depois de correrem muito pela floresta, subindo montes e atravessando a vegetação densa, encontraram o velho lobo já quase sem vida, mas deixando algumas palavras para os seus pequenos.

– Não se esqueçam que os Lobos também sentem! Peço-vos que a minha ferida não vá criar em vós a raiva e o ódio! Pois no Mundo, vocês sabem que existem pessoas boas e outras más, assim como entre nós poderia haver! Não deixareis de ser lobos! Adeus!

E, assim, fechou os olhos, deixando os três lobitos a uivar em grande sofrimento e dor. Compreendendo o sentido das palavras do pai de apelo à fraternidade e ao amor, lembraram-se da missão que ficou por terminar.

Numa corrida veloz, Dala foi até ao local da armadilha, pegou com cuidado no bebé e seguiu até à aldeia. Aproximou-se das casas, pousou a criança e soltou um uivo para chamar a atenção dos habitantes. Assim que a viram, ficaram assustados, porém viram que Dala tinha trazido a criança desaparecida. Ficaram sem reacção, mas Dala olhava para eles e depois para o interior da floresta, como que dando ordem para a seguirem.

Os habitantes seguiram-na até ao local.  Perto do buraco onde estava a mãe da criança, Dala pousou a criança no chão. Logo se ouviu uma voz desesperada:

– O meu bebé! Onde está o meu bebé?

O Sr. Joaquim, juntamente com os outros homens, explicaram simplesmente:

– Foi uma loba que nos trouxe até aqui com o teu bebé!

Felizes, os habitantes da aldeia decidiram fazer uma reunião à chegada e uma festa para comemorar as duas vidas que a loba salvou. Na reunião, liderada pelo Sr. Joaquim, falou-se no passado, da forma cruel como tinham agido em relação aos lobos.

– A partir deste dia, estes animais selvagens deverão ser protegidos! – disse ele com uma voz firme, mas com alguma mágoa que trazia em recordações. – Afinal, os Lobos também sentem!

Assim, se conclui a história acerca de um Homem rude com os Lobos, que julgava que os Lobos não sentem, e que quando menos esperava aprende deles uma lição de vida e respeito. Por isso, nunca julguemos o mau, porque o bom pode não ser aquele que precisamos na nossa vida de perigos e aflições!

J.F.C.


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